Ahhhh... como eu queria ser leve, leve como o ar...
Leve, leve... transparente e a tudo envolvendo...
Essencial a vida, e...
Sempre em movimento, livre, solto leve e sem amarras,
Indo e vindo, a tudo vendo, tudo sentindo,

Em forma de brisa, soprando o rosto da moça bonita,
Arrefecendo o calor de corpos suados,
Se renovando, circulando e purificando as impurezas,
E revirando os cabelos compridos da criança que brinca ao sol,

Subindo e levando à passear os pássaros e pipas,
Colhendo perfumes das flores e levando ao sentido dos apreciadores,
As vezes, só de molecagem, levantando saias de colegiais,
Só para ver seus rostos ruborizarem,

Indo e vindo, a tudo vendo a todos sentindo
Em forma de vento, arrastando nuvens de onde elas não são desejadas,
Estacionando-as onde elas são esperadas com desespero,
Ao mesmo tempo acabando com enchentes e secas,

Levando barcos e veleiros aos seus destinos, leves como eu
Brincando com gaivotas, com o mar, asas Delta e muitas folhas,
Vibrando entre os galhos e folhas as arvores,
Fazendo sons que só os que amam ouviriam,

Limpando todo o caminho dos que possuem mel no coração.
Levando o calor e o frio a todos os lugares,
Mudando ambientes, criando cores nas águas,
Modificando as paisagens a todo momento, destruindo a mesmice,

Indo e vindo, a tudo vendo e a todos agradando,
Em forma de tempestade ou de vendaval,
Certamente não seria eu,

Indo e vindo, a tudo vendo e a todos alegrando,
Sob a luz do sol, seria de um azul muito intenso,
... ou cinza escuro, mataria a sede,
A noite, seria como um discreto espião,

A tudo vendo e a nada vendo,
Levando um aconchegante friozinho a todos os cantos,
Observando os que amam, reagiria a suas emoções,
Pontilhando estrelas, quando no inicio,

Apagando-as quando os pensamentos
Chegassem as nuvens,
E reacendendo em seguida,
Desabando em gotas, sempre que um amor morresse,

Indo e vindo, a tudo vendo a todos colorindo,
Nas passagens entre noite e dia, dia e noite,
Inventaria, cores, e formas,
Copiando os traços e movimentos dos artistas da tela,

Sempre te visitando, envolvendo seu corpo em abraços inesperados,
Ora quentes como o verão, ora frios como faca,
Remexendo seus cabelos como moleque,
Soprando perfumes em seu rosto,
Sempre que te sentir... sentindo algo,
Em forma de uma leve brisa,
Tocando seu rosto com beijos saudosos,

Indo e vindo a tudo vendo e a você lembrando,
Remexendo cortinas e batendo portas e janelas,
Para lembra-la de meu desejo e meu carinho por você.
Ciumento, sopraria seus olhos para que você,
Não tenha olhos para outros...
Se te pegasse a sós com o sol... ahhhh como eu queria...

Começaria nos pés, gelando-os pela planta,
Subiria pelas pernas, eriçando tudo que encontrasse no caminho,
Saltaria ao umbigo, e lá ficaria dando voltas a procura de um caminho,
Achando, subiria em direção ao seu rosto, e no caminho...

Te deixaria arrepiada como gelo,
E finalmente tomaria seu rosto, com beijos por todos os lados,
Em todos os poros, só... beijaria,
Com um beijo muito doce, sutil e suave em seus lábios,
Quase imperceptível, assim... assim... feche os olhos e sinta...

Então me despediria,
Até a próxima visita...
Nos lugares mais inesperados...
Nos lugares mais insólitos...
Sempre que você me desejasse...
Sempre que você se lembrasse...

Maurício R. Soares