Com meus pés plantados no chão
Criei raízes, profundas e sem paixão
Com um olhar invejoso admirava os pássaros
Almejava vôos amplos e arejados

Me acostumei aos sonhos desligados da realidade
Querer e não poder, achava natural
Voar era só para quem nasceu com plumas
Mas insistia num sonho triunfal

Via minhas raízes se aprofundarem
Em meus dedos via folhas saírem e voarem ao vento
Preso ao chão pensava que um pedaço de mim voava
Mas nem assim me consolava

Via minha transformação avançar
A cada dia mais eu me parecia com um vegetal
E imaginava que depois eu viraria pedra
Estática imóvel, inerte e sem vida

Antes de virar um mineral
Tive um toque celestial
Começou num olhar, depois um sorriso
E finalmente um beijo libertador

Me transformei num valente passaro enraizado
Soltei minhas raízes
Sem me importar com os pedaços que deixei
Foram pedaços de mim, numa agonia sem fim

No primeiro arrojo, me senti um experiente voador
No ar, em teus braços me atirei,
Sem receio em teus olhos confiei
Em teus braços me recriei

Como um obstinado conquistador de sonhos
Com você sonhei
De súbito fui ao chão, nas flechas de um doce arqueiro
Busquei teu olhar, tua voz ou teu cheiro... em vão

Esperei, agonizei implorei
E só me lembrei....
Um dia volto a te olhar, falar.. tocar...
Senão..... só vou ficar de novo a sonhar.

Com o renascer em teu olhar.

Maurício R. Soares