Jogado de um lado para outro
Ele foi
endurecendo e perdendo a cor
Em vidro se transformou
Sem emoção, já não sentia dor
Sem perceber,
sem emoção
Se perdeu e do corpo se distanciou
Jogado, chutado e pisado
Ficou todo esfolado e
lascado
O tempo passou, passou
E a poesia
secou
Mas o poeta só se apagou
Não morreu,
apenas definhou !
Um dia o poeta sua musa
verdadeira encontrou
Ela não hesitou e aquele bloco
de vidro
Em suas mãos tomou e o acariciou
Com
leveza a cor voltou
Com ela veio o calor e um
leve pulsar
Lá dentro surgiu um pequeno ser
Que
na superfície batia e gritava
Mas ninguém via ou
ouvia, só a musa sentia
Um dia por pura vontade
Uma pequena lágrima se solta no ar
Vem do mais
íntimo da musa
E toca naquele coração ainda rígido
Como uma doce magia, de lá se liberta um ser
Era uma poeta, que revivia e tudo escrevia
A
musa e o poeta nao podiam juntos ficar
E o poeta por
isso sofria.
O tempo passou e o resto da vida
Aquele poeta a amou
O resto da vida por ela,
Ele lutou
E jamais, ninguém soube exatamente
Como tudo começou
Maurício R. Soares