Como um daltônico vê o mundo ? Certamente de uma forma muito particular e única. Mas como dizem que as emoções são as cores da vida, fico pensando, se eu como um daltônico, sou uma destas pessoas que não se emocionam, leia como vejo o mundo e me diga você. Como vejo as cores.... Azul Marinho X Roxo: Eu vejo o azul marinho como uma cor noturna, carregada de mistérios, de coisas a descobrir, de coisas encantadoras que não conhecemos e precisamos descobrir, e isso nos reserva muitos prazeres. O azul marinho também traz consigo alguma coisa boa do frio, do frescor das noites de verão e do aconchego das noites frias de inverno. Também sinto no azul marinho, uma pontinha de solidão, de uma solidão que precisa ser desvendada, precisa ser desfeita com o encontro de uma pessoa perfeita (com defeitos que aceite como parecidos com os meus) que se esconde no azul-marinho do céu, que se ilumina com o prateado da lua. O romantismo afoito e caloroso, também é azul marinho, que após algum tempo de amadurecimento, se transforma em por do sol, com todas aquelas cores quentes e efusivas que demonstram que todos os amores e romances, estão sob a proteção dos deuses e iluminados pelos anjos, os mesmos anjos que pintam os céus com suas cores e contrastes, misturando todos os tons de azul com todos os tons de vermelho e laranja. Já o roxo eu vejo como a cor do desespero e do drama, a cor da dor, o roxo por alguma razão me lembra as prostitutas, pois sempre associo a elas, a dor, a solidão e a angústia. Junto com o roxo eu sempre vejo também as emoções proibidas, as coisas que não devemos fazer, reprovadas pela moral e pela religião, algumas vezes associo o roxo a coisas físicas também, e a primeira coisa que penso quando me lembro desta cor, é do veludo, um veludo aplicado em roupas antigas e rebuscadas, sofisticadas e quentes, como as que vemos em filmes que retratam épocas da idade média, onde se encenavam fantasias como Romeu e Julieta de Shakespeare. Ou a burguesia da época do descobrimento da América ou do Brasil. O roxo esconde paixões proibidas e sexo sem paixão. Verde X Marrom. Eu vejo o verde como a cor da vida, a cor das folhas das arvores, a cor da renovação constante, pois as folhas das arvores estão assim, sempre se renovando, morre uma e nasce outra no lugar. Com verde também associo um idéia de respiração pois elas levam o oxigênio para as árvores, e à respiração associo as relações com as pessoas, pois elas respiram o mesmo ar que eu, e isto deixa alguma coisa em comum entre eu e as pessoas que me rodeiam. O cheiro de pele, aquele cheiro bom, atraente e excitante é verde, assim como aqueles momentos depois do sexo apaixonado, onde reina o bem estar, e faço questão de sentir a respiração da minha parceira entrando em mim, ali sinto que estou permitindo que as nossas essências se misturem. Sinto que a minha parceira entra em mim pela boca, entra em meus pulmões e se mistura a minha circulação, indo a todos os meus recantos e pressentindo todas as minhas emoções mais escondidas. Nesta hora tudo é verde, pois um não existe sem o outro, o hálito é essencial, o toque de pele é necessário como o próprio respirar, beijar a minha amada, nesta hora é quase como uma necessidade básica, onde eu preciso sentir o sabor e o odor de cada cantinho do corpo dela, e sentir as diferenças e compra-las, os cabelos tem um odor e paladar próprios, cada centímetro do corpo também, uns meio adocicados outros já meio salgados outros ainda sem paladar mas com odor que quase hipnotiza, acho até que é comparaval ao maior dos banquetes, com mihões de sabores, odores e formas a descobrir. E a cada dia são novas descobertas. A vida tem muitas nuances de verde, uma criança quando nasce tem olhos esverdeados, que depois se modificam, mas ali vejo a pureza, a esperança e a fé nas pessoas. No verde está o fluxo da vida, no verde está a diversidade das vidas, pois observe um lindo gramado, de longe parece perfeito, mas se ajoelhe o olhe bem de perto, ali você verá que o verde não é tão puro assim, mas contém muitas ervas diferentes que se misturam para forma aquela cor, algumas daninhas outras medicinais, mas estão todas ali, você verá também muitas outras formas de vida como insetos e invertebrados que ali se abrigam e se alimentam, protegidos pelo verde. No Marrom, vejo as coisas fixas, como a terra, ou as folhas depois que morrem e se transformam em humos para alimentar outras plantas e animais. No marrom se esconde a austeridade, a dureza de caráter e a aspereza. Nele encontramos certeza do futuro, pois aconteça o que acontecer, o seu símbolo maior, as terras, estarão lá, muitos séculos se passam, as terras mudam um pouco de forma, a vegetação que as cobre muda, as edificações também, passam por muitos donos, mas elas estarão sempre lá. No marrom também estão os escrementos de todas as espécies vivas, não como uma coisa mal cheirosa ou suja, mas como uma coisa que depois de um descanso, serve como alimento e fonte de vida. Ë a base de tudo, é o barro da criação, é a rigidez das coisas imutáveis. Verde Limão X Amarelo Ao Verde Limão, associo o frescor dos cheiros gostosos, os perfumes extratificados, os sabores de frutas meio azedinhas e gostosinhas, aos corpos magros atraentes e esguios, mas sem prazer quando os toco, as frutas em início de crescimento e por analogia a infância. É isto !! a infância resume a essência desta cor.!! O amarelo me lembra emoções diversas, mas todas elas exageradas, o desespero é amarelo, assim como a saudade que dói no peito, (a dor é roxa, e a saudade é amarela !) a dor de barriga é amarela, mas também há o outro lado dessa coisa pois também associo o desejo desenfreado ao amarelo, aos impulsos sem controle, pois o amarelo é um dos recursos que a natureza se utiliza para atrair insetos e pássaros para suas flores e através de sofisticados mecanismos, assegurar a reprodução e muitas espécies vegetais. As doenças leves como gripes, resfriados e muitas outras viroses são amarelas aos meus olhos, pois elas todas passam. O amarelo é passageiro, temporário, fugaz e necessário a evolução física, psíquica e intelectual das pessoas. Azul Claro X Verde Água O Azul Claro, eu vejo como a cor que representa os bebes, e as crianças de colo, ainda sem qualquer tipo de autonomia, totalmente dependentes, mas também totalmente cativantes e apaixonantes pela sua pureza, expressões e sons que tocam em nossas emoções. O azul claro é o toque suave na pele delicada e fresquinha, é o céu de primavera onde ao azul forte se misturam as suaves nuvens, nos dando o dia todo uma temperatura agradável e sempre estamos bem, com qualquer roupa que estejamos. O azul claro também esconde as imperfeições quando usado nas paredes de casas velhas e pobres do interior, mas ainda assim mantém a sua original imagem de pureza, simplicidade e honestidade. O Verde Água, carrega consigo uma imagem muito semelhante a do Azul Claro, pois também está associada, p/ mim, às crianças pequenas, mas neste caso, a crianças, já um pouco mais crescidas que já adquiriram certa autonomia de andar e da fala, é como se fosse uma conseqüência ou uma evolução do azul claro. Com ela também vem uma imagem de leveza, de estar solto no ar ou nas águas, flutuando rumo ao nada, simplesmente aproveitando os bons momentos da vida, sem responsabilidades, sem angústias, e sem saudades, pois não há do que ter saudade, pois tudo que precisamos está ali ao alcance das mãos, da boca e dos olhos. No verde água estão a paz, a calma e a vontade de viver, de aprender e se lançar no futuro, para saber o que será o amor, a paixão e a cumplicidade entre os amantes.

Maurício R. Soares