História de Leonor

     Em suas conversas ele foi se lembrando de pedaços de sua vida, ele lembrava que tinha tido dois grandes amores e os perdeu. Se lembrava de um grande amor, de que se casou com este amor e que também teve muitas magoas com este amor, se lembrava de uma separação, de momentos muitos tristes e pesados, de muito choro e crianças chorando a sua volta. Em outros flashes se lembrava de um segundo amor e de muita alegria e paz, mas não sabia bem como mas via também uma separação deste novo amor.
Nestas tentativas de recuperar o passado Leonor achou que deveria contar todo o passado sofrido dela, que ela sempre tentou esconder, mas nesta nova forma de encarar os fatos, ela via com orgulho e lhe fez uma carta, onde resumia todo seu histórico.
--- Meu amor, eu achei que você deveria conhecer a minha historia de vida e com certeza poderá me entender melhor, entender minhas reações e entender porque sou como sou. Cada fato que vivi, me marcou profundamente, mas te conto somente os que acho que interferiram mais visivelmente em minha personalidade, os outros fatos, terei a vida toda para contar.
--- Me lembro de muitas coisas da minha vida, e queria que você também se lembrasse das suas. Amo você como você é, mas sei que sua historia que te fez assim, por isso, leia minhas lembranças, quem sabe elas podem te ajudar recuperar as sua.
Minhas lembranças:
Lembro-me de coisas desconexas e interessantes, por exemplo: eu tinha mais ou menos 4 anos e minha prima de 8 anos, por maldade, soltou a janela, aquela antiga de vidro em minha mão, me lembro do sangue, espalhado pela roupa e meu avô me socorrendo em seus braços, me levando para a farmácia perto da minha casa, lembro da minha bisavó, correndo atrás de mim para me beliscar achando que foi molecagem minha e meu avô sempre por perto para me defender.
Lembro-me perfeitamente de todos os detalhes da casa antiga onde nós morávamos, lembro do meu tio Silvio brigando comigo porque minha avó me dava comida a força e minha mãe corria para me defender. Eram muitas brigas com minha irmã, eram brigas e mais brigas Este meu tio sempre andava bêbado e todos socorrendo.
Outro fato foi meu tio João, batendo forte em minha mão por eu ter mexido em sua vitrola, eu muito pequena chorava e pedia desculpas, mas não adiantava, ele continuava batendo, até me lembro da música Mississipi do Abba eu gostava daquela música.
Lembro-me que aos 05 anos, a comadre da minha mãe acordando eu e minha irmã para vermos o caixão do meu avô, ele estava na sala, lembro da cor do seu caixão, das flores, aí elas passaram as mãos em seus olhos para fecharem
Lembro-me ainda que no mesmo dia vi dos palhaços assustadores da folia de Reis que começaram aparecer na casa da minha avó, junto com os músicos dois tocando violão, um tambor e um pandeiro, até hoje quando vejo uma folia de Reis eu choro, um choro sem explicação.
Quando tinha uns 6 anos, vi meu pai bêbado empurrando minha mãe grávida da minha irmã caçula, com o impacto, ela quebrou a mão e um osso no ombro, talvez isto venha se refletir na personalidade de minha irmã pois ela é super revoltada, vejo todos os meus tios juntos para baterem em meu pai.
Aos 07 anos tivemos que mudar de endereço da casa da minha avó, pois meu pai havia atirado em um bandido, que iria assaltar um bar que ele tinha, e na fuga em pânico, ele ficou escondido debaixo do banco de uma Kombi do japonês que era vizinho, depois só me lembro de estarmos num outro lugar, num quarto e cozinha muito pequenos, a escola era longe eu andava muito.
Uma vez eu escorreguei e voltei para casa porque minha roupa sujou e minha mãe me bateu e me fez ir novamente para a escola, estava muito chuvoso. Neste lugar ainda lembro de meu pai rejeitar um presente que tinha preparado, para o dia dos pais, era um par de meias, feitos em cartolina amarela e as meias por fora, ele disse que aquilo era ridículo e não ia usar.
Quando eu tinha uns 9 ou 10 anos vi meu pai agredindo minha mãe e no meio daquela confusão minha irmã caçula, trazendo a vizinha para ajudar.
Aos 12 anos na escola houve uma excursão para o playcenter e minha mãe não me deixou ir, só a minha irmã, isto me marcou muito, me senti injustiçada e eu sentia raiva da minha mãe por não ter me deixado ir, eu vivia tirando boas notas, mas ela escolheu minha irmã, guardei isso por muito tempo, mas realizei este sonho em 1999, uma amiga pagou tudo para eu ir junto com ela.
Meu pai foi embora para Rondônia nós deixando sozinhas por meses, quando completei treze anos ele nós levou para Vilhena, em Rondônia, tivemos que deixar, Tobi, o nosso cachorro, com minha avó, e eu gostava muito dele, Aquela partida foi inesquecivelmente triste, partimos de ônibus debaixo de uma chuva que Deus mandava.
Já em Vilhena ele foi trabalhar em uma marcenaria, tinha comprado uma casinha bem popular, a situação financeira começou a complicar, e nós íamos com ele para a marcenaria ajudar lixar os móveis para o acabamento, saíamos para catar papelão para embalar estes móveis, e não tínhamos direito a nada pois dias depois quando eu pedi dinheiro para comprar roupa, virou uma briga danada e ele disse que se quiséssemos roupas novas teríamos que ir para as esquinas conseguir dinheiro.
Foi uma enorme decepção com ele, e minha mãe é que nos socorreu sempre, ela além de costurar para fora, começou a lavar roupa para comprar o que precisávamos.
Aos 13 anos comecei a trabalhar em uma lojinha dentro de um supermercado, fui obrigada pois ele nunca ajudava com nada, nós estávamos crescendo, precisávamos de material escolar e roupas e minha tia sempre, mandava de S.Paulo para lá, roupas, sapatos e quase tudo que vestíamos era dado por alguém, jamais vou esquecer meu entusiasmo quando ganhei meu primeiro tênis, era usado, mas gostei como se fosse novo.
Tenho muitas magoas de meu pai, pois ele nunca nos deu carinho, nem as coisas mais simples que víamos todos tendo nas datas comemorativas. Até o meu primeiro ovo de Páscoa, eu mesma tive que comprar. Ele sempre bebeu e quando tinha uma festa ali mesmo na vizinhança, sempre acabava em brigas. Quando já estava meio crescidinha ele começou a ter ciúmes de mim, controlava minha vida , e comecei a ficar com medo.
Depois de 3 anos em Vilhena fomos para Porto Velho, outra mudança fugindo de alguma coisa que até hoje não sei o que era. Desta vez, foi em uma carreta, nós todas, eu, minha mãe e minhas irmãs fomos dentro de uma Kombi que estava em cima da carreta e ele foi com o motorista no maior conforto. Sempre fomos tratadas como lixo por ele.
Fomos para outra casa popular, mas desta vez de aluguel, a que tínhamos em Vilhena ele havia perdido, por não pagar as prestações. Lá ele montou uma loja de móveis ficava próximo a uma praça, e de novo fomos trabalhar com ele, foi lá que conheci meu primeiro namorado, ele era 06 anos mais velho, se chamava Rogério. Ele foi meu primeiro amor, meu primeiro namorado, mas meu pai não permitia, ele tinha uma casa de materiais de construção, seus pais tinham uma mercearia e uma fazenda, mas meu pai se interpôs, sobre este namoro e começamos a nos encontrar às escondidas.
Minha mãe começou a dar cobertura para nossos encontros até que meu pai nós pegou e foi o fim, porque meu pai o agrediu com palavras que o feriram e ele para se defender contou Um monte de cachorradas do meu pai, que havia aprontado por lá antes de irmos.
Depois deste acontecimento ele foi me deixando aos poucos, como eu não queria perde-lo, logo me entreguei para ele, mas mesmo assim, não adiantou, sofri o dobro, porque eu sabia pelos outros que ele, saia com outras garotas.
Ele nunca foi me buscar na escola como os outros faziam com suas namoradas , e só me procurava, uma vez a cada 04 meses e a situação entre eu e ele, foi ficando pior, eu me sujeitava, a fazer o que ele queria, ele saia comigo, nunca em lugares públicos, somente para motéis, e depois me abandonava nas esquinas, mas mesmo assim não teve jeito, por um descuido meu fiquei grávida.
Foi um horror assumir aquilo e quando falei para ele, me empurrou e disse para me virar e me abandonou. Minha mãe estava em São Paulo, ai fui parar na casa de uma irmã de uma amiga minha da escola, chamada Rosenilda éramos muito amigas e eu estava desesperada e acabei fazendo uma coisa que até hoje queria não ter feito, mas não tinha como continuar com aquela gravidez e a Rosenilda me ajudou a tomar umas ervas, que me fizeram perder aquela criança. Nunca ninguém soube, foi aonde eu virei comadre desta mulher, todos chamavam de Baiana.
A loja de móveis do meu pai fechou, mais uma enrascada que ele se meteu e eu vim para São Paulo, visitar minha avó e procurei um médico, pois não me sentia bem, foi ai que ele percebeu que eu tinha pego uma infecção por causa destas ervas que tinha tomado, e me recomendou um tratamento, que continuei em Porto Velho, num postinho de saúde, perto de onde comecei a trabalhar .
Meu pai neste período foi para o garimpo, esqueceu um pouco de mim, arrumei outro emprego com um senhor chamado Nelson, mais conhecido como “paulista” ele tinha uma distribuidora de bebidas, junto com um galpão onde o dono fazia dragas para garimpar ouro no Rio Madeira, eu fazia um pouco de tudo, até comida para os cachorros dele.
Meses depois meu pai apronta no garimpo, dando cheques sem fundos, disse para minha mãe que havia matado um homem por lá e fugiu para São Paulo e nos deixou novamente.
Eu já havia terminado o segundo grau e eu consegui conciliar o termino de meus estudos, pois estava me preparando para o vestibular, com meus problemas pessoais, eu estava com 17 anos.
Foi quando me apareceu um maluco no trabalho, me agarrou, dizendo que eu iria pagar, as dividas que meu pai havia deixado no posto flutuante dele. Graças a Deus apareceu o cunhado do paulista, chamado Carlinhos, morto dias depois no garimpo, apontou uma arma para este cara, mais conhecido por Pica-pau e ele me soltou e ele nunca mais apareceu.
Foi ai que passei odiar meu pai, queria vê-lo morto, mas depois deste acontecimento, descobriram nosso endereço, tive que cobrir um monte de cheques dele, pois o banco que ele tinha conta o gerente era meu padrinho de formatura. Pagamos todos os cheques, apareceram outros credores, vendemos máquina de lavar e uma televisão para pagar as dívidas e tive que pedir demissão onde trabalhava, arrumamos um caminhão para vir embora, pois a situação ficou crítica.
Minha irmã mais nova com 13 anos veio na frente, sozinha, com um amigo que confiávamos, de São Paulo a Porto Feliz, ela veio sozinha com este meu amigo chamado Fernando e graças a Deus não aconteceu nada. A minha irmã do meio ficou ate terminar o aviso prévio do seu trabalho, eu e minha mãe viemos com este motorista. Viemos de Porto Velho à São Paulo e passamos bons apuros na estrada com ele, mas agüentamos tudo caladas para não ficar no meio do caminho.
Meu pai não estava nem num pouco preocupado como nós voltaríamos, pois ele só tinha dinheiro para pagar a mudança quando chegássemos aqui. Novamente fomos morar em um quarto e cozinha, ele foi trabalhar em Santos, onde novamente aprontou e tivemos que mudar, outra vez de lugar, mas dentro de São Paulo mesmo. As brigas entre ele e minha mãe continuavam e minha irmã a do meio, também não agüentando mais, foi embora de casa morar com um cara qualquer, sofreu e foi espancada por ele, foi outro inferno, até ela voltar o que fizeram as brigas em casa, ficaram piores. Meu pai bebia e dizia que a culpa de tudo era da minha mãe.
A minha irmã, mais nova logo se envolveu com más companhias, começou a fumar e andar com uns malucos de cabelos espetados coloridos, para desgosto da minha mãe. Foi outro tormento pois meu pai culpava minha mãe por isto também, mas e verdade era que nós não agüentávamos mais as brigas dentro de casa, não agüentávamos ver minha mãe sustentando um casamento falido. Logo veio mais outra mudança, agora para mesma rua da casa da minha avó, lugar onde nunca deveríamos ter saído, era uma casa grande com três quartos, sala cozinha, garagem e lavanderia.
Não adiantou nada, novas brigas, meu pai bebia, a família da minha mãe se metia no meio e era sempre um inferno, eu fiquei desempregada, foi ai que resolvi voltar para Rondônia, somente para passear num final de ano.
Eu estava com 22 anos, chegando lá não sentia vontade de voltar e enfrentar tudo novamente, fiquei na casa da minha comadre, lá encontrei um cara que me pereceu a solução dos meus problemas e acabamos combinamos de ir morar juntos, pois ele também não estava mais suportando sua família, só que eu estava tão cega para fugir dos meus problemas que não enxerguei, que o problema dele com sua família não era o mesmo que o meu.
Logo no inicio ele começou a chegar bêbado em casa e começaram as primeiras discussões, ele ficava na casa da minha comadre, pois ela havia montado um bar, mas ela não fazia nada para me ajudar. Achei melhor nós irmos morar no sítio sua mãe de criação, que também nos incentivou.
Eu achava que lá, longe dos bares, tudo iria melhorar, ficava uns há 150km da capital, 8 km no meio da mata, lugar humilde, sem luz, água, mas me adaptei, e logo ele passou o sítio em meu nome, e compramos uma moto tempos depois.
Mas as brigas continuaram, só que com agressão, qualquer palavra que eu falasse, era motivo para ele erguer sua mão contra mim, ele tinha ciúmes de tudo. A primeira vez que me agrediu foi na casa dele, pois não gostou que eu estava cantando uma música, com o irmão dele de 15 anos. Ele me empurrou, começou a me chutar, fiquei com as pernas marcadas, mas eu achava que eu era a culpada, que deveria me colocar em meu devido lugar, pois era casada.
Depois fomos para o sítio e as agressões ficaram piores, as primeiras vezes ele me deixou sozinha e foi para uma fazenda que ficava 04 km do sítio, tinha uma festa, mulheres e muita bebida, eu pedi para um garotinho que estava andando a cavalo, me levar ate lá, foi uma visão horrível, eu vi ele com aquelas mulheres, tinha tão pouco tempo que estava junto e já vi minha primeira traição e ele com outra mulher. Fiquei com medo da sua reação, não fiz escândalo nada, ele me viu me pegou pelo braço, e me trouxe de volta para o sítio, e o tempo foi passando e vieram muitas outras brigas, às vezes eu corria para escapar, mas ele sempre me alcançava e me levava pelos cabelos para casa.
Muitas vezes os vizinhos de outros sítios viam para me socorrer, mas ele me expunha para todos e gritava dizendo: “Não tinha era o homem para fazer ele parar”. Foi então que percebi que era falta das drogas, mas mesmo assim eu ainda achava que a culpa era minha, pois não sabia trata-lo.
Logo sua família ficou sabendo que ele andava me maltratando e que até o caseiro que morava conosco, foi embora, era um índio e me ensinou muitas coisas, e dizia que eu não merecia ser tratada daquela maneira.
Um dia fiquei desconfiada e logo pela manhã ele sumiu e meu instinto feminino dizia que ele estava aprontando, não deu outra, chamei os cachorros, para me acompanharem e no meio da mata o encontrei usando drogas. Quando ele viu ficou branco, eu fugi dele e ele veio atrás de mim, chorou, pediu desculpas, mas eu estava sendo traída mais uma vez.
O que adiantava ele me tratar tão bem quando estava usando-as, mas na real ele era ruim para mim, muitas vezes tentei ajudar, e acho que com esta minha ajuda eu o sufoquei-o, cuidava dele 24 horas, e por cuidar demais, eu fui a mais prejudicada.
Num domingo chegaram as irmãs e um sobrinho dele e me contaram uma longa história de como ele usava drogas desde garotinho, eu mais uma vez me senti traída. Elas se foram e o sobrinho ficou, para ver se ele melhorava.
O sobrinho dele me ajudava no sítio, ele começou a me contar, que ele sempre teve problemas com sua família, que ele já havia tentado matar uma de suas ex-namoradas, só não fez porque uma de suas irmãs chegou.
Comecei a cair na real e pensar como iria sair daquela situação. Nossa última briga, ele já havia falado para seu sobrinho que se eu abrisse a boca ele acabaria comigo, não deu outra, eu falei que ele havia bebido e ele me deu a pior surra que já levei. Desta vez eu fiquei com uma marca permanente, pois tenho um dos meus dedos da mão esquerda com defeito, pois foi quebrado naquele dia. Meus braços ficaram cheios de hematomas.
Ele pegou minhas malas jogou no meio do terreiro e disse para eu ir embora naquele hora. Eu fui embora com o sobrinho dele, com o coração partido por causa dos animais que criava, mas com um enorme alívio por saber que estaria definitivamente livre dele.
No Caminho consegui uma carona com o dono da fazenda vizinha que estava de caminhonete, coloquei as coisas atrás junto com o sobrinho dele, e voltei para Porto Velho, para casa da mãe dele, lá ate fome eu passei, ela era muito mais pobre que eu imaginava, tinha dia que não tinha o que comer, só não faltava o cigarro, que eram feitos de palha.
Assim que cheguei lá encontrei um ex-namorado de minha irmã sargento da polícia, me olhou e disse, sem eu precisar abrir a boca, isto da um corpo de delito legal, mas ele vai ser chamado na delegacia da mulher, e quando ele voltar sua fúria vai ser maior e me aconselhou a ir embora para alguma lugar que ele não me encontre.
Ele apareceu dias depois, mas sabia que não havia volta, fiquei mais uns dias, engoli meu orgulho e pedi ajuda para minha família mandar dinheiro para eu ir embora, hoje não sei qual foi o pior, se tivesse ficado ou voltado para minha casa, porque tive que mostrar para todos da minha família que errei, fui obrigada a aceitar as regras da minha casa, e escutar minhas irmãs jogar na minha cara que fiquei fora de casa mais de um ano.
Passou algum tempo e eu consegui um emprego onde consegui continuar meus estudos. Com muito esforço me formei em letras, pois sempre tive enorme atração pelo mundo dos livros e das poesias. Mais algum tempo eu consegui juntar algum dinheiro e dei entrada numa casa no interior... nesta nossa maravilhosa cidade, fiz um financiamento de 20 anos, que ainda pago um pouquinho por mês.
Mudei para cá, consegui um emprego como professora, reconstruí minha auto estima, fiz minha imagem como profissional, mas nunca mais quis me envolver com ninguém. Até hoje eu vivi só para o trabalho e para os livros.
Até te conhecer meu poeta das flores.
Milord leu e se emocionou com a historia e jamais poderia imaginar uma historia tão sofrida para aquela mulher de olhar tão emotivo e doce. Ele absorveu aquela história tentando entender como a essência de Leonor teria se formado, e neste exercício lhe vieram muitas lembranças de seu passado. A tentativa de Leonor tinha dado certo.
Um certo dia Milord a procurou eufórico e disse que via um prédio grande e muito luxuoso, mas que não sabia onde ficava, Leonor fazia varias perguntas para ver se lembrava de algum nome, mas nada acontecia. Passaram-se alguns dias e de repente Milord falou um nome de rua, e nessa rua existiam várias empresas e eufórico contou para Leonor.
Neste dia Leonor estava às voltas com sua aluna Pat. Que a procurava com aquele e-mail que ela lhe escreveu, com uma alegria que não se continha, tinha que dividir aquela alegria com alguém.
Pat contava que já havia lido uma centena de vezes o Leonor escreveu e não concordava com muita coisa, mas ela, após se afastar de um namorado que não a completava, conhecera alguém que despertou o verdadeiro amor e agora ela consegui ver a profundidade do ela recebera de da professora, que agora já não era mais só de literatura, era uma professora de vida e de sentimentos.
Leonor se enaltecia com aqueles sentimentos e tentava por um pouco de realidade naquela paixão de Pat, mas rapidamente ela vê que o que mais a garota precisava naquele momento era de sonhos, e a deixou sonhar...