A Mudança Interior

     Leonor de seu lado estava de volta a sua rotina, apesar de que esta rotina nunca mais seria a mesma depois do que viveu na noite que passou, ela estava num estado que seus sentimentos estavam calmos como nunca, ela estava na mais pura paz com o mundo e com tudo que a rodeava, ela estava vendo as coisas todas com um colorido diferente e prestando atenção em coisas que sempre passaram despercebidas para ela.
Ela conseguia agora notar uma coisa diferente no olhar das pessoas, ela via que algumas pessoas tinham um brilho diferente no olhar, cada um com o seu, mas cada um também trazia como que uma mensagem cifrada, que ela estava desvendando.
Alguns olhares traziam um quê de alegria, outros de paz e começou a notar que as verdades das pessoas estavam estampadas em seus olhos. Correu até um espelho e viu em seus próprios olhos o amor e isso explicou tudo, agora tudo estava fazendo um novo sentido pra ela. Agora ela entendia a grande diferença entre uma poesia ou conto feito com a técnica e as feitas com o coração.
Leonor estava reconhecendo dentro de si mesma um mundo que ela sempre carregou, mas nunca explorou. E agora tudo isso estava se passando diante de seus olhos como um filme. Ela misturava esses sentimentos e sensações com a sua rotina, os seus afazeres como professora e dona de casa. E a rotina que ela sempre achou massacrante, passou a ser mais leve.
Os dias foram se passando, os encontros com seu amado se seguindo, a vida tomando novos contornos aos seus olhos e suas relações com as pessoas se aprofundando e ela sentindo o que as pessoas carregavam no coração.
Em uma de suas turmas, na aula, ela notou uma das garotas, com um olhar melancólico, e se preocupou. Tentou aborda-la para ver se conseguia ajudar, e foi rejeitada. Insistiu, pois era uma moça muito alegre e naquele momento ela estava como que se escondendo de algo.
No final da aula ela pede que Pat passe em sua sala no final da tarde, na verdade seu nome era Patrícia, mas todos a conheciam como Pat. Com a nova habilidade que estava adquirindo, ela acaba descobrindo que a menina estava sofrendo de amor, pois ela estava sentindo o seu coração vazio, estava namorando alguém, mas esta pessoa não preenchia o vazio de seu coração, e ela estava tentando entender essa coisa confusa de amor, paixão e atração.
Tentava saber exatamente o que sentia e o que é realmente o amor.
Leonor se sente meio que tocada pelos sentimentos dela, tenta falar algo que a faça se sentir melhor, mas não tem sucesso, então percebe que a questão de Pat era algo mais profundo que uma simples conversa pudesse resolver e vasculha as suas anotações, pois tinha certeza que tinha algo que podia ajudar a linda jovem que estava sofrendo com algo típico de sua idade e que não existe uma verdade absoluta que pudesse tirá-la daquela angústia, mas ela tinha certeza que tinha feito um dia uma reflexão sobre aquilo tudo e escrito algo.
Não encontrando, e sabendo que ela adora se corresponder pela internet, ela pede que a garota lhe desse seu e-mail, que ela mandaria algo para reconforta-la.
Assim que Pat sai de sua sala, Leonor pensa em procurar de novo até encontrar o texto, mas diante de sua nova visão de vida acha que seria mais sincero dela escrever novamente. E imediatamente se senta diante de seu computador e escreve:
Querida Pat
Quando você saiu daqui fiquei me lembrando de toda minha vida e me identifiquei demais com o que você esta passando, pois já passei por situação muito parecida, mas como eu não tinha ninguém para me dizer algo, me dar uma linha de reflexão, tirei todas as conclusões erradas e conduzi a minha vida com essas conclusões.
Não gostaria de ver ninguém repetir alguns erros que já cometi, então, gostaria muito que você lesse com atenção esta minha reflexão e tirasse as suas próprias conclusões.
Tudo começou com a análise de uma frase que me foi dita numa aula de psicologia:
“Amor e paixão podem ser também assim definidos: Amor = Agape, Paixão = Eros. Quando essas duas espécies de amor estão presentes...é o paraíso na terra...”
Ao analisar este pensamento, acabo concluindo que isso é uma utopia, pois creio que estes dois tipos de amor são incompatíveis, pois um tende a matar o outro, na paixão o ciúmes é natural e um tempero essencial, pois cria motivos para descargas de energia que quase sempre acabam em sexo. Já no amor, este ciúme é incomodo e chato, na paixão tudo é ilusão, tudo é fantasia, nos jogamos de cabeça nas fantasias mais impossíveis acreditando que um dia elas se tornarão realidade, se você já teve uma daquelas paixões avassaladoras, volte a fita e reveja como muitos de seus planos eram puro devaneio, e você nem percebia.
Na paixão o Tesão é fundamental, pois tudo gira em torno dele, mas o Tesão esta muito ligado á beleza, ao cheiro, ao paladar do corpo do outro sexo, ao toque, mas estas sensações só são estimulantes enquanto são novidade, por exemplo, pense na beleza.
Só admiramos o belo enquanto não nos acostumamos com suas formas, cores, tons etc, pois depois que nosso cérebro registrou todos os ângulos do nosso foco de admiração, a admiração diminui.
Para comprovar o que falo, observe o que ocorre quando uma bela mulher ou homem aparecem na TV, fazem um enorme sucesso, enquanto o publico não se acostuma com eles, todos comentam no início de suas aparições, depois todos vão deixando de prestar atenção, então eles tem que sumir por uns tempos de depois voltar triunfais. Creio que o Tesão é a mesma coisa, pode pintar e sumir, ir e vir e enquanto ele existir, sempre pintará sentimentos incompatíveis com o amor, como a dominação, o sentimento de posse, o ciúme, cobranças de atenção etc.
Já o Amor pleno é lúcido, compreensivo e companheiro, não sente ciúme, não cobra nem cria expectativas do comportamento do outro, é cúmplice no sentido mais amplo da palavra, pois não quer saber se o outro está certo ou errado, simplesmente apóia. Enfim busca só uma coisa: Momentos prazerosos para ambos, seja juntos ou separados, onde a felicidade do outro, complementa a nossa.
É certo que nunca poderemos isolar totalmente um do outro, sempre haverá um deles mais forte, mas com componentes do outro, criando confusão mental com sentimentos conflitantes e muitas vezes opostos. E que num casal nunca a velocidade de migração de um para outro é a mesma, com isso gerando conflito de opiniões, interesses e expectativas e este desconforto incomoda como a infelicidade, ou é a própria.
A paixão é como entrar numa montanha russa, pois sentimos fortes emoções e nosso corpo todo reage, fortes descargas hormonais e de adrenalina nos atordoam, nos entorpecem e nos vicia, criando uma grande compulsão em procurar mais e mais estes sentimentos. Mas, cedo ou tarde, nos acostumamos com os sobressaltos e as descargas e falta de ar já não são as mesmas e às vezes em seu lugar vai assumindo o Amor, trazendo sentimentos mais amenos e calmos, dando a impressão de segurança.
Você me disse hoje que conhece pessoas que convivem simultaneamente com a Paixão e Amor, e te pergunto, não será um erro de julgamento? Pois os modelos de casais que conheci, que transmitiam esta impressão, um terço já se separou, outro terço já não tenta disfarçar suas diferenças, e o outro terço, acredito eu, se sente feliz fingindo que isto é possível e real.
Não tenho nada contra a paixão, muito pelo contrário, adoro-a e não vivo sem paixão, me apaixono pelas coisas mais estranhas deste mundo, desde carros, computadores, pessoas, animais, lugares, poesias, enfim tudo pode gerar paixão! Mas o que creio que mais complementa a alma das pessoas é uma coisa mais calma, mais serena, menos tesão e mais companheirismo, calor e cumplicidade.
Como muitas outras coisas a paixão é uma coisa que exige experiência e sabedoria, é como a tal Esfinge do Egito que profetiza, “DECIFRA-ME OU DEVORO-TE” e um dia passa. Se ela puder ser substituída por amor, terá sido um ganho, senão terá sido um grande sofrimento, trocar uma paixão por outra, ou o que é pior, trocar uma paixão por nada.
Algumas coisas me deixam por demais pensativa, e estive lendo algumas coisas sobre como ocorrem nossos sentimentos e porque em livros de psicologia, matérias de revistas e até debates em programas de rádio e TV. Como resultado desta “pesquisa”, ficaram alguns pensamentos que estou aqui comigo ruminando e tentando comprovar algumas teses.
Uma delas, separa com muita distinção sentimentos como Amor, Paixão e Atração Sexual e até a Realização Sexual. Separando ainda o Amor em dois tipos, o amor maduro e o imaturo, (o que não tem nada a ver com idade).
A paixão é aquele sentimento que nos domina, tira a concentração, entorpece os sentidos nos fazendo ver somente o lado bom e fascinante do objeto de nossa paixão. Mas ela também nos faz sofrer muito, pois por alguma ironia ou traição de nossos sentidos, as paixões sempre são proporcionais as dificuldades de concretiza-las, de torna-las reais. Os momentos são sempre roubados, sinistros, e sofridos, muito sofridos. Tudo é muito desafiador, pois tornar possível esta eufórica sensação é quase uma questão de vida ou morte, quanto maiores as dificuldades, maior a paixão e maior o sofrimento.
Esta lasciva paixão sempre está ligada também a deslumbrantes realizações sexuais ou mesmo fantasias sexuais. Neste momento sempre esta presente o lado sonhador, romântico, lúdico, voraz e muitas vezes volúvel das pessoas. Pois como os sentimentos são muito fortes, eles nos desestabilizam nos levando a picos de eufórica alegria e em frações de segundo nos jogam em vales depressivos, onde o significado da vida se resume a coisas simples como um gesto, um olhar, um bilhete ou algumas horas de carinho ou sexo.
Mas os apaixonados sofrem muito, pois sua química é toda alterada, o coração bate descompassado, com muitíssima freqüência, temos distúrbios digestivos, crises, euforias que só sabe o que é isso quem já sentiu.
Gosto muito de comparar este estado de turbulência mental, emocional e corporal à uma montanha russa como já disse a pouco, pois as sensações são alucinantes, mas os que tem um mínimo de experiência sabem que vai terminar, sempre passa.
Já o amor é algo mais calmo e mais sereno, onde as pessoas procuram encontrar nos parceiros, alguém que complemente suas carências, alguém com quem conviver os bons momentos e possa se apoiar nos maus tempos. O sexo já não vem em primeiro lugar, e é usado quase que como um remédio capaz de ajudar a cura de todos os males.
Muitas vezes as paixões se transformam em Amores, alguns bem sucedidos, outros não. Pois sempre haverá componentes que misturam as coisas e nunca sabemos com clareza se o que sentimos, já não é mais paixão e virou amor, ou se é só amor ou só paixão, tudo sempre fica coberto por um manto de sentimentos confusos onde se misturam algumas obsessões como ciúmes, possessão, dominação, controle e outros mais nobres, mas fora de esquadro com o convívio a dois como a dó, a piedade a compaixão.
Onde a compreensão é confundida com uma misturada de sentimentos e muitas vezes nem existe, só se usa seu nome,mas não se pratica de verdade. Muitas vezes as verdades são meias verdades e por conseqüência, também são meias mentiras e estas machucam, magoam e criam marcas profundas que o tempo disfarça mas não apaga.
As frustrações vão se somando, se avolumando, tornado as pessoas gradativamente e bem lentamente infelizes, pois a espera é cansativa e viver esperando que nossas carências sejam satisfeitas, deteriora nosso ser como ácido.
Estas esperas não são recompensadoras e vão nos empurrando em busca de novas compensações para os esforços que dedicamos à vida. Sempre buscamos ligar nossos esforços a algum tipo de recompensa ou algo que nos dê prazer, nem que seja o simples reconhecimento de nossa luta. Ai é que surgem as pequenas falsidades conjugais, onde buscamos gratificações em coisas que sabemos desagradar o parceiro, e pouco nos importamos com isto, pois culpamos o nosso par pela nossa infelicidade.
E este pode ser classificado como o Amor imaturo, pois vive querendo moldar seu parceiro às suas carências, não desiste de tentar mudar ações, pensamentos e sentimentos.
Já o amor maduro, compreende as diferenças, alias ama estas diferenças e sabe respeitar diferentes objetivos, pensamentos e desejos. A identidade sexual complementa e coroa esta relação como majestosa , pois todos precisamos de algo mais que sentir, precisamos de alguém que nos acompanhe, observe nossos passos, que tenha cumplicidade, que torça por nós, por mais que isso não lhe interesse.
É uma forma meio utópica de pensar para os que nunca viram isso, alias são poucos os que viram, e a maioria que viu, não notou, pois o egoísmo incrustado dentro de nós não permite que pensemos que esta forma de amor é possível, este tipo sublime de amor , muitas vezes está de mãos dadas com as realizações e ambições pessoais, pois exige segurança pessoal e serenidade.
Esta maturidade, creio eu, também esta muito ligada à nossa própria compreensão, pois quando nos compreendemos, entendemos nossas imperfeições e as aceitamos com serenidade e..... Eu disse serenidade, não passividade, pois a perfeita compreensão das nossas carências nos empurra em busca das causas, o que já é mais da metade do caminho da solução.
Quando aceitamos nossas imperfeições, estamos prontos e compreender a dos outros, a verdadeiramente aceitar os sentimentos dos outros e chegar a extremos de achar certos sentimentos incompreensíveis, como ciúmes, possessividade, dominação, e outros. Este não faz sofrer, é calmo, e para os pouco sensíveis, monótono e chato!
Querida Pat, espero que com esta mensagem que estou te mandando, você não fique mais confusa do que já está. Eu só queria que você pensasse um pouco sobre essa coisa dos sentimentos, certamente a sua experiência de vida lhe dará muita coisa no que pensar. Enfim achei que podia faze-la pensar um pouco diferente do que a vi pensar aqui em minha sala.
Um grande abraço, e quero que saiba que se precisar de alguém para conversar eu estarei aqui e vou gostar muito. Acho que minha vida está entrando num novo ritmo, e estas coisas de sentimentos estão tomando um espaço muito diferente dentro de mim.
Assim que digita o último ponto do texto, ela envia a mensagem sem nem mesmo ler para saber se havia algum erro de digitação. Enviada a mensagem, ela se acha um pouco precipitada e resolver ler o que escreveu. E nesta leitura ela encontra muitas coisas novas em suas palavras, ao ler parecia que era outra pessoa que teria escrito tudo aquilo, e fica pensativa sobre que mudanças são essas que estão acontecendo em seu interior.
Primeiro foi o fato dela se sensibilizar com a dor de Pat, o que já não era uma coisa comum nela, pois ela não declarava, mas achava que os mais jovens não tinham motivos para sofrer, ou se sentirem sós, pois o ritmo alucinante dos adolescentes não lhes permitia sentimentos profundos ou de tristeza, e naquele momento ela via que não era bem assim e que cada um tem as suas dores e suas formas de se relacionar com elas.
Isto também era uma nova forma de ver as coisas para Leonor, que sempre era muito racional achando que a razão sempre estaria acima das emoções e que quando as emoções se manifestam, bastava racionalizar as coisas e tudo voltaria ao controle.
E seu texto demonstrava exatamente o contrário, o que a deixou pensativa e um pouco insegura, ela passou a ter receio de seus sentimentos e onde eles poderiam leva-la. E começa a lembrar-se de casos e situações de pessoas conhecidas que se emaranharam em situações constrangedoras, algumas delas até perderam todos os bens materiais por se deixarem levar pelas emoções, mas ao mesmo tempo que via este lado pessimista das emoções, se lembrava também de pessoas que viviam em permanente estado de serenidade, as custas de fazerem exatamente a mesma coisa, ou seja, se entregarem ao que o coração lhes pedia.
Neste momento toca o telefone e do outro lado da linha está Lord Milord, lhe dizendo:
--- Espero não estar te incomodando, mas estou ligando só para ouvir a sua voz, estou com saudade de você e queria estar te abraçando e te beijando, ouvindo a sua voz ao vivo, mas estou tentando só matar a saudade, para mim você é uma poesia, daquelas que se ouve uma vez e nunca mais se esquece, você tem a doce força de uma poesia, com a saudade que sinto de você, me faz ver que te amo demais.
--- Incomodando? Para com isso! Eu estava justamente pensando em você, porque também sinto muita saudade de você e mexe muito comigo essa coisa de você falar que me ama.
Eu queria ser um bruxo!
Bruxo?... Pra quê?... Ela pergunta.
Ele responde:
--- Eu fiz uma nova poesia. É meio infantil, mas achei que você iria gostar, escuta só, é bem rápida!

QUERO SER SEU MAGO
Quero ser um bruxo para te encantar
Usar minha varinha de condão
E em teu corpo fazer mágicas de atordoar
A cada mágica uma sensação

Quero ser um feiticeiro para te hipnotizar
O mundo mudar para você ao meu lado ficar
Quero te levar bem perto do mar
E ao luar muitas vezes te amar

Quero ser bruxo, um doce bruxo do bem
Um mago de encantos
Um feiticeiro sem caldeirões
Com doçura nos gestos só fazer magias de amor

Um mágico com manto de estrêlas
Mãos de luz que iluminariam seu corpo nu
Em teu rosto criar olhares e sorrisos
Que só tua respiração poderia explicar

A cada nova magia em teu corpo
Eternizar cada reação
Em teu gozo sentir teu hálito mudar
E em minhas mãos te fazer levitar.

Quero ser um gênio da lâmpada
Para todos teus desejos realizar
E isto me daria poder
Para seu amor conquistar

É lindo, mas você não precisa ser um bruxo nem um mágico para realizar meus desejos e me dar prazer, porque só de você me amar, me desejar, me querer 24 hrs por dia e me respeitar como pessoa, você já está realizando todos os meus desejos, me fazendo muito feliz, nosso amor é tão forte que já temos todo prazer ao nosso alcance.
Eu que gostaria de ser uma bruxa, para ajuda-lo com seus problemas de memória, que você tanto quer conhecê-los e soluciona-los sem deixar de criar muitas estrelinhas em meu céu, pelo nosso amor lutaremos para descobrir seu passado, para que possamos construir uma vida juntos,sem medo algum.
Os dias foram passando e o amor cada dia maior, quanto mais crescia o amor, maior era o medo de perdê-lo.
Numa certa tarde, Milord estava sentado no banco da praça como de costume e aproximou-se timidamente uma senhora muito bonita e de aparência frágil, mas com um olhar muito triste e preocupado, perguntou a Milord se podia se sentar e se ele teria uns minutinhos para ela, percebendo que ela não estava bem, Milord muito educado como sempre permitiu que a senhora se sentasse e perguntou o que a afligia tanto.
Ela se apresenta como Lia e seu filho como Sérgio. A simpática senhora começou sua história, disse que já há algum tempo vinha tendo muitos problemas com o marido, já não conseguiam se entender mais.
As conversas terminavam sempre em brigas, deixando-a muito triste com tudo aquilo, até que resolveram se separar, essa decisão lhe trouxe muito sofrimento, porque além de estar se separando de uma pessoa que amou muito, as brigas e a separação mudou muito o comportamento de seu único filho, fazendo-o perder o interesse pelos estudos, não queria ir mais as aulas, e às vezes se fechava em um silêncio total, isso lhe causava muita tristeza e preocupação.
Lia se sentia um pouco culpada por Sérgio estar daquele jeito, foi então que pensou em procurar ajuda de Milord, pois era muito conhecido pela sua paciência e bondade e pediu a Milord se poderia ajudar seu filho. Ele se sentiu sensibilizado com o pedido daquela mãe e prometeu que ia conversar com o menino e tentar ajuda-lo a superar aquele momento difícil da vida dele.
Milord foi para casa e ficou pensando como poderia ajudar aquela criança voltar a ser uma criança normal, com vontade de brincar, de estudar e de sorrir novamente.
À noite quando se encontrou com Leonor, disse que tinha sido procurado por uma mãe aflita em ajudar o filho, e que o menino era um aluno dela. Leonor não gostou muito, ficou muito enciumada, porque conhecia a mãe do menino e sabia de sua beleza, achou que era um pretexto para se aproximar de Milord, ela sabia da história do garoto e da separação e achava a tal mãe meio astuta demais. Com alguma habilidade perguntou porque a mãe do menino não a procurou já que ele era aluno dela.
Milord não soube responder, pois não havia pensado nisso, porque não viu segundas intenções no pedido dela, mas mesmo Leonor não gostando Milord disse que ia ajudar o menino porque ele merece uma chance de voltar a ser feliz e aquela pobre mãe não sabia como lidar.
O relacionamento deles ficou um pouco abalado, mas Leonor preferiu aceitar a situação ao invés de criar uma crise, o que poderia provocar o afastamento deles, afinal era a primeira vez que Milord se posicionava com firmeza num assunto.
Quase todas as tardes lá estava Milord e Sérgio a conversar no banco da praça, eram longas conversas, conversava sobre tudo para ganhar a confiança do garoto, aos poucos o menino foi se abrindo e demonstrava que gostava daquelas conversas, quase todos os dias a mãe do menino procurava Milord para falar do progresso das conversas com seu filho e agradece-lo pela dedicação, ela também gostava de conversar com ele pois se sentia muito só e gostava da presença dele, isso deixava Leonor cada vez mais enciumada.
O comportamento do menino foi melhorando e a cada conversa de Milord com Lia, mais enciumada ficava Leonor. Milord percebia e se sentia dividido entre duas vontades, e não sabia bem como agir. Procurou com isto dedicar mais atenções a Leonor. Ela percebia que não havia intenções dele com a mãe do garoto.
Então vem uma idéia interessante a Leonor, ela envolve Milord, o garoto e Lia num contexto em que ela pudesse participar e cedeu o escritório na casa dela para que o contato pudesse continuar, pois naqueles dias, o tempo não estava ajudando muito e as chuvas e garoas estavam freqüentes, e continuar com aquilo na praça, não parecia muito saudável. Leonor procurava cerca-los de atenções deixando Milord e o garoto a sós, assim eles tinham mais liberdade, e ela também, pois ela tinha que se aproximar de Lia, pois só assim teria a situação sob controle.
No inicio Lia se sentia muito atraída por aquele homem de modos tão gentis, atencioso e admirava sua inteligência e até chegou a pensar em um romance com ele. Algumas vezes até se insinuou um pouco, mas neste momento que ela freqüentava a casa de Leonor e via a paixão entre eles, preferiu sufocar aquela atração e não trair a confiança de Leonor, que estava sendo tão boa com ela.
Alguns contatos entre Lia e Leonor já foram o suficiente para lia se abrir e conversaram longamente, esclarecendo tudo, e dizendo que Milord era uma pessoa muito especial que qualquer mulher gostaria de tê-lo ao seu lado, mas que ele só tinha olhos para ela, mas que tinha muita bondade para todos.
Leonor entendeu tudo, alias o amor por Milord já havia lhe dado este dom, de enxergar algumas coisas com mais clareza.
Neste momento Leonor vai conduzindo a conversa de uma forma muito delicada, mas deixando claro que a melhor ajuda quem poderia dar ao Sérgio, seria um psicólogo e não Milord, afinal ele não tinha formação nem experiência para isto. Ele podia ajudar como amigo, mas Sergio precisava de uma ajuda profissional.
Lia concorda plenamente, mas não tem dinheiro para um tratamento com psicólogo e novamente Leonor intervem e com dois telefonemas consegue um tratamento gratuito para o garoto. Milord quando fica sabendo, aprova o novo rumo dado as coisas e se dispõe continuar a ajudar se ainda for preciso.
Lia passou a contar então com o apoio profissional para seu filho que algumas semanas retomou sua rotina normal.
Num jantar romântico entre Leonor e Milord, ela revela que usou de algumas artimanhas para conduzir as coisas daquele jeito. E Milord revela que já desconfiava, mas que com esta revelação, a sua admiração por ela se tornava ainda maior.
Naquela noite tiveram mais uma daquelas noites de amor apaixonado e ardente. Muitas juras de amor foram feitas e muitas conversas reveladoras, pois Milord estava a cada dia resgatando novos flashes de memória.
E continuava a longa batalha diária para que a memória de Milord voltasse, Leonor ficava sempre a lhe fazer perguntas sobre algum nome que ele gostasse ou que lembrasse alguém, nome de algum lugar, algum nome de empresa, enfim todos os tipos de pergunta, e anotava tudo que achava importante.
Quando se tratava de nome de algum lugar, ela ia com ele a procura do tal lugar e ficavam andando pelas redondezas e olhavam pessoas que passavam apressadas, olhavam as casas, os prédios para ver se ele lembrava de alguma coisa, mas nada acontecia.
Repetiram varias vezes essas investidas e isso trazia um pouco de angústia aos dois, mas era preciso descobrir o passado para que pudessem se entregar por inteiros a este amor tão forte. Leonor se preocupava em que ele tivesse uma família, filhos a cuidar, e que ele um dia se lembrasse de uma esposa e quisesse voltar para ela. Leonor queria fazer as coisas muito certas e queria demais Milord, mas o queria por inteiro.