Lord Milord ficou conhecido como um romântico, e alguns dos boêmios que freqüentavam a praça, anotavam as poesias e as enviava a garotas como sendo suas, na tentativa de conquista-las.
Um dia ele é procurado por um jovem senhor de quase quarenta anos, de boa aparência, pedindo uma poesia sob encomenda para uma mulher muito especial, pois ele precisava conquista-la. O poeta, estranhamente reluta em fazer a poesia, e quer conhecer detalhes do caso de amor para poder se inspirar com mais propriedade, Sua intuição lhe dizia que não deveria participar daquilo tudo.
E começa a querer saber como era o envolvimento deles, como ele a sentia como ser humano e acaba descobrindo que o rapaz já fora noivo quatro vezes, casado duas e já estava no terceiro romance após o casamento, descobriu também que ele era uma pessoa muito ligada as coisas materiais e que só se cercava de pessoas parecidas com ele mesmo. Seu carro era tão importante quanto um membro da família, pois dedicava mais tempo ao carro que as companheiras. Descobriu também que o rapaz queria a conquista da garota como um troféu para guardar e mostrar aos amigos.
Pensativo, Lord Milord não sabia como agir, pois não queria compartilhar daquela coisa e não queria ser grosseiro. Então e começou, intuitivamente a colher detalhes mais íntimos, para que a poesia tivesse algo da personalidade dos dois, assim seria algo mais deles. Acabou percebendo que com perguntas acabria fazendo-o desistir da poesia encomendada, perguntando coisas como:
De que perfume ela gosta?
Qual é o prato predileto dela?
Qual a cor preferida?
Que tipo de doces ela gosta?
Onde Ela gosta de passear?
Gosta de conviver com família?
E com amigos? O que a deixa feliz?
O que a deixa triste?
Qual era a cena romântica que ela sonhava?
Quais eram os seus medos e inseguranças?
E ele não soube responder a nenhuma das perguntas, não soube dizer nada a respeito da garota que queria conquistar, não sabia nem a data de aniversário dela. Lord Milord com muita sutileza o convenceu que sem esses detalhes seria impossível tocar o coração dela. O rapaz partiu com a missão de colher os detalhes para rechear a poesia. No dia seguinte Lord Milord anota tudo que pediu e pede mais uma lista de detalhes, e dia a dia vai se aprofundando cada vez mais nos detalhes mais íntimos dos dois.
Passado algum tempo o rapaz vai espaçando suas visitas a procura da tal miraculosa poesia, até que ele desaparece por quase seis meses, Lord Milord pensou que ele desistira.
Mas o rapaz volta a procurá-lo, agora com um convite para ele ser o padrinho de seu casamento, ele ficou muito grato ao poeta, pois descobrindo os mínimos detalhes do que agradaria a garota, ele passou a admirá-la por seus sentimentos, passou a gostar de conviver com ela, se apaixonou por sua alma e o amor verdadeiro entrou em seu coração tão sutilmente que ele quase nem se deu conta. E ela lhe correspondeu!
Era a primeira vez que ele conhecia o amor, e agora já podia fazer as suas próprias poesias. Os sentimentos que povoavam seu coração eram tão intensos que a poesia que ele tanto desejava, lhe saiam pelos olhos. O rapaz passou então a apontá-lo como uma espécie de guru, uma pessoa que faz aflorar o que tem de melhor nos outros.
Quando Leonor ficou sabendo dessa nova faceta de Lord Milord, ficou ansiosa por falar com ele, pois sabia que ele tinha um interior muito bom e carinhoso, e que o desencontro que tiveram era passageiro, mas e coragem para procurá-lo? Muitas vezes ensaiou visitas à praça que o poeta fazia a sua base, mas não passaram de ensaios, pois ela se envergonhava um pouco de sua atitude, mas também tinha uma pontinha de orgulho por saber que a forma como ele ara conhecido, Lord Milord, era de sua autoria.
A imagem de Lord Milord estava se formando nas redondezas. Seu carisma e simpatia atraiam cada vez mais as pessoas sensíveis, e tornava mais emotivos os que não eram. O dono de um restaurante da praça viu nele uma possibilidade de aumentar seus lucros e propôs que ele recitasse suas poesias em uma das mesas e ali ficasse todas as noites, dando atenção aos fregueses, e em troca ele teria comidas e bebidas a vontade.
Ele aceitou, e passou a freqüentar o local, de dia jardineiro, a noitinha poeta de restaurante. Para não destoar com o ambiente, lhe foi oferecido também um terno da melhor qualidade, bem ao seu gosto, risca de giz em fundo azul marinho quase negro, camisa branca de colarinho bem durinho, gravata bordo se seda italiana com uma estampa muito delicada de flores também bordo e um sapato de couro preto muito fino, reforçando ainda mais a sua imagem de Lord Inglês e dando ao local uma charmosa elegância. Seu perfil esguio e seu andar altivo davam ao ambiente um ar de nobreza que atraia as pessoas.
O resultado veio rápido, as pessoas vinham até de outras cidades para conhecer o restaurante “Poesia”, como ficou conhecido, e em pouco tempo foram surgindo outras idéias. As pessoas contavam suas histórias de amor e Lord Milord , as poetizava. Muitos anotavam tudo, outros gravavam tudo para guardarem como lembrança.
Leonor se sentia cada vez mais atraída por Lord Milord, ele era muito comentado na cidade, e como ela era ligada a literatura e poesia, muitas pessoas a procuravam para comentar o dom do poeta errante. E isso a deixava desconcertada, pois ela estava numa enorme luta interna se o rejeitava pelo ocorrido entre eles ou se cedia aos seus impulsos e o procurava para uma aproximação mais terna.
Pensa muito em sua reputação na cidade, temendo o que iriam dizer se descobrissem que ela estava se interessando por um pobre coitado como ele? E se ela não resistisse aos seus impulsos e rolasse algo entre eles? A idéia ao mesmo tempo em que a excitava a deixava em pânico, pois ela estava pela primeira vez na vida sendo envolvida por esses sentimentos.
Nunca havia experimentado esta disputa interna entre emocional e racional, a sua vida toda sempre foi guiada pelo racional e sempre achou os sentimentos lindos, sonhava em senti-los, mas na verdade ela só tinha a paixão e o amor em seus livros e poesias. Talvez por isso ela defendesse tanto a técnica em detrimento da intuição
Leonor reúne todas as suas forças internas para procurá-lo. Junta um grupo de amigos e vai ao restaurante. Quando seus olhares se cruzam, acontece tudo de novo, como nos encontros anteriores, todas as emoções retornam.
Ambos procuram se conter, não deixando o outro perceber a atração. Leonor apresenta My Lord ao grupo, ela fazia questão de chamá-lo assim, denotando certa mistura de carinho com provocação. Lord Milord percebia a intenção no ar e parecia até gostar, devolvendo a provocação chamando Leonor de “estudante”, que ela também parecia gostar, se sentia mais jovem com o tratamento. Todos apresentados se acomodam, pedem a refeição e aguardam que Lord Milord, declame algo.
Lá pelas tantas, Lord Milord chama a atenção de todos e diz:
---- Hoje gostaria de dedicar todas as minhas palavras a uma pessoa muito especial, alguém que admiro muito pela cultura, beleza e charme. Acho que da ultima vez que lhe dediquei algo, não soube fazer que entendessem minha intenção, hoje tentarei corrigir este engano.
Aproximou-se de Leonor, em pé diante de todos, pegou em sua mão e disse em alto e bom som:
---- Seu olhar me inspira...
E recitou...
ME DÁ TEU SORRISO
Me dá teu sorriso, todo dia
Que te devolvo com minha alegria
Me dá aquele seu olhar.
Que te devolvo com minha paixão
Me dá tua paixão
E te devolvo com minha entrega
Me entrega tua solidão
Que não a devolvo mais.
Se não sabes do teu valor na vida
Olhe o que já fez e veras
Teu sorriso transforma o mundo
Teu respirar transforma o ambiente
Tua alegria tudo muda
Muda os rumos de todas as vidas
Você é muitas mulheres em uma
Para e percebe que mereces um monumento
Basta ser o que já és
E continuara ser maravilhosa !!!
O clima após ele terminar, foi bem alegre. Leonor, apesar de estar com a respiração sem ritmo, soltou o seu mais belo sorriso e puxou os aplausos. O que também foi uma novidade, pois nas outras noites, ninguém ainda tinha aplaudido.
Leonor ficou com uma expressão engraçada, que parecia meio plastificada, pois estampou um meio sorriso no rosto, que não saia de jeito nenhum, era até meio difícil de tomar o seu vinho, pois quase derramava, pois sorrir e beber são uma união quase impossível. Ela parecia não saber se acreditava ou não no que acabava de ouvir, se aquelas palavras foram realmente feitas para ela. Passados alguns segundos, ela volta a por os pés no chão e a respirar normalmente.
Uma amiga que estava no grupo de Leonor convida para Lord Milord se juntar ao grupo e jantar com eles, o que deixou a professora de literatura discretamente feliz. A noite foi muito agradável para todos, pois Lord Milord era muito conversador e adorava contar histórias, e também incentivar todos a contarem as suas, de qualquer jeito, e ele sempre pegava as histórias mais simples, as reformulava com um conteúdo lúdico que todos ficavam encantados.
Aos poucos, todos que estavam acompanhando Leonor e Lord Milord, foram percebendo a energia que existia entre eles, pois as conversas sempre giravam em torno deles, os olhares eram cheios de brilho... em torno deles quase se formava uma aura luminosa, só eles não percebiam que emitiam tantos sinais. Um por um foi saindo, indo ao banheiro e não voltando, outros se despedindo, deixando somente os dois, eles demoraram a perceber que estavam sós.
A noite estava muito quente e já era tarde, Leonor se da conta da hora e resolve ir para casa, Lord Milord oferece sua companhia, que ela resiste um pouco, não querendo resistir, e acaba aceitando, afinal seria uma gostosa caminhada. Assim que saíram começa uma fina garoa, mas eles estavam tão bem que nem se importam e continuam calmamente a caminhada, sem se incomodar com as roupas que estavam ficando úmidas e as gotas escorrendo pelo rosto. Eles conversam de tudo, política, saúde, natureza, mas Leonor, como sempre fica intrigada de onde vem tanta cultura, que nem ele sabe explicar.
Na porta da casa dela, o clima romântico se acentua, e eles se beijam, um beijo doce e suave. Logo depois se segue um carinhoso abraço, e muitos beijos mais, suas mãos ficam inquietas, passeando pelas costas dela. A ansiedade e atração aumentam e Leonor o convida a entrar.
Algo dentro de Lord Milord o impedia de seguir, de entrar e se entregar àquele sentimento de atração por ela. Eles queriam demais se amar e ele se sentia como que preso a algo que o impedia de seguir. Leonor insiste no convite e ele se esquiva com muita sutileza, se despede com um caloroso beijo, e a deixa na porta de casa.
Leonor entra e experimenta um redemoinho de sentimentos, em alguns segundos tudo se passou em sua mente e coração, ela o detestou, por aquela atitude, o admirou pelo respeito que foi tratada, se sentiu rejeitada e ao mesmo tempo amada pelos versos que ele lhe dedicou, mas ela não conseguia se desligar da sensação de seus lábios se tocando, do calor de seu corpo junto ao seu, se suas mãos tocando o seu corpo, em seguida ela voltava a ficar irritada com a atitude dele e ficou por muitas horas nessa tempestade de emoções. Precisou tomar um bom banho e um chá quente para se acalmar e conseguir dormir.
Em sua caminhada Lord Milord também parecia não saber por onde ia, aquele contato com Leonor estava transformando alguma coisa dentro dele, os sentimentos que antes pareciam muito confusos, só se tornando claros enquanto ele declamava, agora pareciam assumir posições mais claras, ele via claramente o que começava a sentir por ela, conseguia ver nitidamente que sentia muitas coisas diferentes por ela, e todas eram boas e prazerosas, era a atração, a admiração, era vontade de agradá-la, era vontade de vela sorrir, de vê-la andar de ouvi-la falar, a simples lembrança de ver seus lábios se movimentarem já o excitava.
Todos os seus pensamentos convergiam para ela, ele a queria como mulher, mas algo o impedia e isto o incomodava demais. Ele então se decide mergulhar em seu interior e identificar onde estavam aquelas amarras e saltá-las.
A noite de ambos foi difícil e cheia de interrupções, no dia seguinte, era quase impossível para ambos fazerem os seus trabalhos. Estavam desconcentrados e dispersos, a única coisa que pensavam era um no outro, e naqueles momentos que estiveram juntos. Leonor tentando entender por que ele fugiu dela daquela forma, mas não conseguia se sentir rejeitada. Ele querendo se entender , por que não conseguiu realizar algo que ele mesmo queria tanto.
Então ele se refugia onde mais se sente seguro, em seus jardins. Mas ainda assim, não foi o suficiente para acalentar o que ele sentia... Então Lord Milord sentiu que precisava das palavras, ele precisava criar algo, tinha que por para fora o que sentia. Tinha que usar aquele seu jeito sonhador de fazer as coisas, mas não tinha publico... Então percebeu que precisava escrever algo.... E largou tudo para fazer isso. Nem leu duas vezes o que escreveu, dobrou e guardou.
Pouco tempo depois Leonor o procura na praça, e conversam só sobre amenidades, nenhum deles tem coragem de tocar no assunto. Lord Milord então pede alguns minutos, vai ao jardim e colhe uma rosa vermelha, entrega a ela com um doce olhar e diz:
--- Eu escrevi algo para você, mas tenho receio de te mostrar....
--- O que é ? Estou anciosa, quero ler...
--- Tenho receio de te mostrar e você me entender errado, pois nosso ultimo contato foi marcante para mim, eu reagi de uma forma que surpreendeu a mim mesmo, e depois disso, não consegui parar de pensar em você, e escrevi algo meio fantasioso, mas é como nos vejo....
--- Eu quero ler....
--- Prefiro eu mesmo ler, você se importa ?
--- Desde que eu possa ter uma cópia depois.... Leia a vontade.... vou até gostar de ouvir...
--- Então segure sua rosa....
--- Que coisa linda !...... mas já que você me deu essa, queria lhe pedir aquela amarela, as amarelas são mais raras, sensíveis e perfumadas.... assim as duas ficarão guardadas em meu coração para sempre.
Ele a apanha, dá um beijo na rosa amarela, lhe entrega e diz:
--- É estranho você gostar de rosas amarelas, elas me lembram algo... um olhar fica perdido na minha mente quando vejo rosas amarelas, e este olhar me traz sentimentos .... é como o seu olhar.... quando seus olhos se fixam em mim, muitas coisas se movimentam, muitas cenas se desenrolam como se fossem reais, em minha memória....
--- O que você esta lembrando agora ? De alguém ? Algum lugar ?
--- São lugares, pessoas, trechos de conversas... acho que é meu passado querendo me visitar.... e não sei se devo deixar entrar.... não sei se quero saber quem sou.... e não sei se posso viver sem saber.... você me entende ?
--- Mais ou menos.... mas se eu puder ajudar.... eu me sentiria muito bem com isso... Mas se você acha que a minha presença lhe traz lembranças ruins e o faz sofrer.... se preferir eu me afasto de você.... Apesar de não querer.... mas o que mais quero é vê-lo bem....
--- Deixe disso, você ativa algo dentro de mim que não sei bem o que é, sei que você me provoca, me faz sentir e lembrar de emoções.... mas seja o que for, seja como for, é bom, pois a sua presença compensa qualquer coisa ruim que possa vir a minha mente...
--- É muito bom ouvir isso de você....
--- Bem, posso ler agora ? Eu fiz do mais fundo dos meus sentimentos para você. E estou querendo ver como ficarão os seus olhos quando eu ler....
--- Leia logo que já estou ficando anciosa com essa demora.
Então Lord Milord se acomoda confortavelmente em seu banco, ao lado de Leonor, limpa a garganta imposta a voz, e começa:
UMA NOITE DIFERENTE
Uma antiga lenda, conta que ha muito tempo, a Terra, o nosso planeta, era muito parecido com o que conhecemos hoje, os animais eram os mesmos, os seres humanos, por fora eram iguais, as plantas também não eram diferentes, o dia nascia do mesmo modo no mesmo horário, mas à noite...
Haaa a noite era diferente, a noite era o período de repouso de todos os seres vivos, tanto animais como plantas e por isso a noite era sempre escura, a Lua não iluminava os céus e as estrelas não existiam para iluminar os caminhos de aventureiros noturnos, pois eles não eram aventureiros e não saiam a noite, pois a noite era muito sem graça.
A noite era feita para sonhar, era feita de ilusões, vontade, encantos e alguns desencantos. E neste cenário de fantasias, todos viviam os seus teatros. Até que um dia um certo casal começou a viver uma Grande Paixão em seus sonhos. Eles sonhavam um com o outro e em suas mentes eles conversavam, se gostavam, se queriam, mas não podiam e mesmo assim continuavam a se desejar, queriam acordar e se conhecer, se olhar, se tocar e realizar o que sonhavam em assim aumentar suas paixões, mas não podiam, e quanto mais difícil ficava, eles se olharem, mais eles se queriam, mais eles se falavam, mais eles sonhavam em estarem juntos, mas não podiam...
Um dia, num de seus sonhos, os deuses lhes avisaram que seria permitido, e eles poderiam. Seria o encontro mais fascinante de todos os tempos. Ambos se prepararam durante sete dias e sete noites para o evento, pensaram em tudo que diriam, tudo que fariam, pensaram na roupa, no perfume, ensaiaram até como dizer um simples “Olá!”.
Mas era algo novo para todos, eles iriam se encontrar à noite, aquela noite sem graça... E pensaram também... E se a noite sem graça estragar tudo? Como poderemos nos ver com toda aquela escuridão? Como poderemos nos sentir numa noite tão sem graça? E se Ela (Ele) não gostar de mim por causa da noite sem graça? E as dúvidas e inseguranças começaram a crescer, crescer, crescer até que tomou conta do sentimento de euforia provocado pelo Grande encontro marcado.
Até que então, em um novo sonho, os deuses novamente lhes revelaram que havia uma grande surpresa preparada para ambos... Mas que tomassem cuidado e não cedessem aos impulsos mais fortes, e procurassem se conter no que é reservado aos que pouco se conhecem... Senão toda a surpresa seria desfeita...
Lá foram eles ao Grande Evento, nervosos, ansiosos, tensos e pensando como seria? O que falariam? O que fariam... No local um pequeno desencontro, a espera de alguns minutos, pareciam muitas horas talvez até dias... Se viram, se olharam de longe, mais perto, mais perto ainda... A noite era escura e mal dava para ver detalhes, ambos só viam um vulto. Mas não podia haver engano, pois todos dormiam, ninguém mais ousaria estar acordado naquele horário.
Quando estavam bem pertinho auxiliados pêlos seus perfumes, seus olhares se encontraram e neste momento PLIM surgiu a primeira surpresa...
A lua se iluminou com seus olhares e energias e eles puderam então se ver. Olharam-se longamente e puderam se observar, todos os detalhes foram vistos. A emoção era tanta que nem se deram conta que por causa deles pela primeira vez a lua brilhava, estava linda e imponente, iluminava todos os caminhos e começava a provocar novas paixões em todos os outros que ainda não a conheciam.
Não se contiveram e se entregaram num delicioso abraço, um abraço ao mesmo tempo doce, terno e muito caloroso, seus corações estavam palpitando tanto que quase dava para escutar os seus pulsares e logo no inicio do abraço surgiu um pequeno ponto luminoso nos céus e logo depois mais um... E novamente não se contiveram e se entregaram em um beijo... Um beijo leve e meio tímido, mas quente...
Surge então novo ponto luminoso nos céus e neste momento eles percebem que o universo está reagindo, e a cada beijo surge um novo ponto de luz, que denominaram de “estrela”. Só então viram a Lua e ficaram fascinados, extasiados, entusiasmados.
E recomeçaram a criar estrelas. Foram criadas uma, duas, mil, dez mil... Eles se empolgaram e começaram a pensar em “outras” coisas, eles queriam se entregar um ao outro. Ambos queriam e começou então a dança das mãos.
Foi então que notaram que certos movimentos das mãos não eram permitidos, ao invés de criar estrelas, apagavam-nas, o susto foi grande, mas se lembraram do aviso dos deuses:
” que tomassem cuidado e não cedessem aos impulsos mais fortes, e procurassem se conter no que é reservado aos que pouco se conhecem...”
Exploraram seus limites, algumas poucas estrelas foram apagadas nos cinco minutos que se seguiram e depois foi uma criação de estrelas que não acabava mais. Naquela noite foram criadas todas as estrelas que conhecemos. E todos os corações se encheram de paixão, todos os seres com coração nunca mais foram os mesmos e a noite foi eleita então, “a mais romântica parte do dia”.
E foi assim que o céu se iluminou com a Lua e as Estrelas... Passaram-se algumas noites e eles se entregaram ao que já não era mais proibido, eles se tocaram e se amaram com paixão, apagaram algumas estrelas, depois outras, e por fim numa só noite apagaram todas as estrelas do céu.
Mas sempre tomavam o cuidado de reacender todas as estrelas que foram apagadas. Afinal a noite já não era mais a mesma, e os corações já não podiam viver sem a lua e as estrelas e esta noite ficou eternamente conhecida como “Uma Noite Diferente” e sempre protegida pelos Deuses.
Quando ele termina, Leonor está com o olhar distante, como que viajando nas palavras dele, essas palavras conseguiam fazer que ela visualiza-se cada cena, cada lugar e sentisse cada emoção de uma forma tão real que mais parecia um sonho com ela desperta. Ela gosta muito de como ele organiza as palavras para dizer as coisas e elogia, e fala muitas coisas que ele queria ouvir, afinal é isso que ele busca quando faz seus contos e poesias, o que ele mais quer ver é o sorriso e a satisfação das pessoas.