O Reencontro

     Tocaram a campainha, pelo interfone se explicaram quem eram e o portão se abriu, eles entraram, era uma linda casa, e quem morava ali era a sua família com o ex-sócio no lugar dele.
Não deu pra ele esconder a tristeza, por toda aquela situação humilhante, Laura muito friamente veio recebe-los e disse:
--- Resolveu aparecer é?
Ele teve vontade de pegar Leonor e sair correndo dali a ter que enfrentar aquela situação constrangedora, Leonor percebeu e tomou a frente, educadamente cumprimentou a mulher, ela respondeu e convidou-os a sentar, então Leonor começou a contar o acontecido, de como Milord chegou na cidade e que não se lembrava de nada, estava sem memória.
--- Milord? Perguntou ela, Leonor disse que ele não se lembrava do nome, então arrumou um apelido, ele aceitou e todos na cidade o chamavam por este nome. Ela olhou para Milord e pediu para conversar a sós com ele, foram para outra sala, ele perguntou:
--- Porque você fez isso comigo ?
--- Eu gosto do Marcos há bastante tempo, como amigo, não saberia viver sem conforto e ele começou a me assediar, acabei cedendo e no final acabou sendo melhor, pois estamos dando todo o conforto para os nossos filhos e você pelo jeito se ajeitou muito bem! Você sempre levou jeito para uma vidinha medíocre mesmo, não adiantava continuarmos aquela falsidade toda!
Isso fez com que ele percebesse que não tinha mais nada a ver com aquela mulher fria, diferente da que ele conheceu e amou perdidamente, não levaria a nada ficarem lavando roupa suja naquele momento, revivendo magoas passadas e superadas, o que lhe interessava agora era somente os filhos.
Pediu para ver os filhos, estava com muita saudade deles, ela disse:
--- Não vai dar, pois eles estão na Disney, já é a segunda vez que vão, estou fazendo por eles o que você nunca conseguiu.
Só o mais velho que estava em casa, era o de olhos tristes, ele perguntou porque ele não tinha ido também, friamente ele respondeu que ele não era filho dela, portanto não tinha que oferecer a ele as mesmas coisas que dava a seus filhos de sangue. Isso foi como uma punhalada no coração, pois naquela hora lhe voltou a memória o porque ele não se lembrava no nascimento deste filho tão afeito a ele, o filho tinha sido adotado bebezinho ainda, foi criado como filho de verdade, Milord nunca fez diferença, mas pra ela... só o tratava como filho, antes dos filhos de sangue nascerem.
Aí ele percebeu o porque dos olhos sempre tristes, ela o discriminava, não tratava igual aos outros e ele percebia a diferença, por isso tinha tristeza nos olhos.
Ele pediu que chamasse o menino, Paulo era o nome dele. Quando o filho viu o pai, veio correndo e abraçou, beijou e chorou de tanta felicidade em ver o pai novamente. Milord ficou tão emocionado que chorou junto, conversaram um pouco, o pai contou a ele rapidamente alguma coisa e prometeu que não ia abandona-lo, que ia vê-lo sempre.
Paulo ficou novamente triste em ver o pai indo embora, Milord despediu-se e foi embora arrasado em ter que deixar o filho com quem não o amava como devia. Leonor perguntou se estava tudo bem e se eles tinham se acertado.
Ele com muita tristeza disse que não tinha muito o que resolver, porque as coisas já tinha tomado rumo, mas o que lhe entristecia era a situação de Paulo, contou-lhe da diferença que a mulher fazia no tratamento com o filhos. Leonor ficou sensibilizada e lhe propôs que quando estivesse tudo resolvido e pudessem se casar o menino viria morar com eles, e aí formariam uma família feliz, os olhos dele brilharam de felicidade e fica olhando com admiração aquela mulher tão diferente da outra.